Após 25 anos, apresentadora troca TV por internet

14/02/2019 - Por: Paraibaonline com Folhapress
 
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um pau de selfie na mão e uma ideia na cabeça é (quase) tudo o que Maria Cândida, 47, precisa em seu novo projeto, um canal de YouTube próprio com programação semanal de três vídeos, publicados às terças, quintas e domingos.

Até aí, tudo normal. Mais uma influenciadora a engordar a caudalosa lista de youtubers nacionais. A questão, contudo, é que durante 25 anos Maria foi figurinha carimbada em diferentes canais de televisão brasileiros. De moça do tempo do Jornal Nacional (Globo) a repórter do Domingo Legal (SBT) apresentado por Gugu, Cândida fez de tudo um pouco nas telinhas.

Apresentou o Globo Rural (Globo), alguns Oscars e participou do reality show Aprendiz Celebridades, comandado por Roberto Justus. Nos últimos dois anos, era a responsável pelo Manhã Leve, na TV Aparecida.

Mas parece ter se cansado um pouco. "Claro que tive muito receio de fazer essa mudança", confessa a apresentadora. "Nem digo que estou saindo da TV, mas queria me focar no digital. Era tanta coisa para fazer, tanto trabalho, que não sobrava tempo para nada."

"Eu acredito nesse mundo novo, eu gosto da internet", diz Maria. "O grande problema é que as pessoas ainda acham que trabalhar na Internet não é trabalho. É trabalho sim. Para a gente que é jornalista, no caso, é um trabalho de comunicação, usar informações para gerar pautas."

O canal abriga vídeos produzidos e estrelados por ela e tem conteúdo com ares de programas de variedades, com publicações que incluem desde o modo correto de se colocar talheres na mesa até entrevistas com o Mister Guarulhos ou uma reportagem sobre quimonos. "É um canal com uma pegada feminina", conta. "Não estou entrando nessa porque é legal a mulher empoderada, mas sim porque é a minha verdade."

"Não sei se sou uma youtuber, sei que estou lá agora", diz Maria. "Eu me considero repórter e vou ser repórter minha vida inteira. Vou bastante para a rua [fazer os vídeos] por mais que não seja isso o que a internet está virando. Quando você sai para a rua e vê a situação de perto, é muito diferente do que só ficar comentando as coisas."

A paixão de Maria Cândida pela internet é relativamente nova. Ela começou a "trabalhar" no Instagram há apenas seis meses. "Trabalho pesado", comenta. Sua conta na rede social, com cerca de 220 mil seguidores, demanda uma atenção quase constante e se debruça sobre o dia a dia da jornalista.

A exposição ao público não costuma incomodar. "Até por ter começado na Globo, era comum as pessoas pararem na rua e me perguntarem como seria o tempo hoje, ou me criticarem por ter errado a previsão", conta Maria, que foi responsável pela previsão do tempo do Jornal Nacional entre 1996 e 1998. "Minha forma de responder normalmente é com bom humor. Mas em casos específicos me senti confortável em simplesmente sair do Instagram por uma semana e não falar absolutamente nada."

Em janeiro deste ano, Maria terminou um relacionamento de oito meses com o consultor financeiro Mauro Calil. O casal ganhou notoriedade após Mauro pedir a jornalista em namoro durante o programa que ela apresentava. O término do casal via WhatsApp, exposto por Mauro em sua própria conta, acabou gerando repercussão nas redes sociais.

"Fiquei incomodada com a exposição que teve, mas sei que sou responsável por ela também", diz Maria. "Existem muitos justiceiros digitais, mas ninguém sabe o que aconteceu. Nem quero falar sobre isso, foi uma coisa que passou e inclusive apaguei o que escrevi sobre o assunto [nas redes sociais]. O importante é refletir e aprender depois dos erros. Não significa que nunca mais vou errar, mas que pelo menos estou aprendendo."

E não apenas na vida pessoal. "Eu gosto de aprender. Todo repórter gosta. Fiz um monte de coisas diferentes e em todas elas aprendi algo", diz. "Não tenho medo de levar paulada, eu assumo. Essa ideia do canal é uma volta ao início. Não penso nem em ter retorno [financeiro] agora."

"Vejo muito do que fiz na televisão e do que penso para o YouTube e vejo que são formatos diferentes, mas que o modus operandi é basicamente o mesmo", diz Maria, que aponta que mulheres de 40 a 60 anos compõem a maior parte do seu público.

"Essa mulher, ela quer se conectar. Ela sabe que o mundo está mudando. E eu quero conectar essa mulher que acha que YouTube é coisa de adolescente. Ou você começa a querer aprender, ou vai ficar para trás", completa.

Para trazer esse público ao mundo digital, contudo, vale lançar mão até dos meios mais analógicos. "Faço muito corpo a corpo e quando digo isso é corpo a corpo mesmo", brinca. "Encontro as pessoas na rua e falo que comecei um canal, mas muita gente não sabe procurar por ele. Então fiz uns santinhos para o canal, que nem esses de políticos, ensinando como acessá-lo."

"Quero ter 70 anos e ser uma senhorinha do YouTube", brinca. É bom já ir fidelizando o público.

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